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Doenças Oculares

Conheça mais sobre as doenças oculares

Glaucoma

O glaucoma é uma doença ocular que causa a degeneração do nervo óptico. O nervo óptico é formado por um feixe de fibras nervosas que tem a função de transmitir as imagens que chegam aos olhos para o cérebro.

No interior do olho existe um líquido chamado humor aquoso que é continuamente formado, e drenado na mesma proporção. Quando há qualquer obstáculo no escoamento deste líquido, ele fica “represado” dentro do olho elevando a pressão.

Ao contrário do que se imagina, quem tem pressão ocular alta nem sempre tem glaucoma. A pressão ocular normal está situada entre 10 e 20 mm de Hg. Pensava-se que a pressão ocular maior que 20 mm era a principal causadora do glaucoma, porém, há pessoas com pressão acima desta faixa que não têm glaucoma e outras com pressão na faixa normal que têm a doença. Portanto, a pressão ocular alta nem sempre é glaucoma, mas é um fator de risco importante para esta enfermidade.

glaucoma1

A. Nervo Óptico Normal; B. Nervo Óptico no Glaucoma (Escavação Aumentada).

No glaucoma crônico, a pessoa não sente dor, desconforto ou alteração visual, sendo, por esta razão, difícil de ser detectado. Enquanto isso, o nervo óptico se deteriora aos poucos, ocorrendo uma perda progressiva do campo visual  que, se não for tratada, levará a cegueira.

Pelo menos uma vez ao ano deve-se procurar um oftalmologista, que realizará os exames específicos para o seu diagnóstico. O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível.




Qualquer pessoa pode desenvolver glaucoma, mas o risco é maior naquelas que apresentam um ou mais dos seguintes fatores:

  • Pressão intra-ocular elevada;
  • História familiar de glaucoma;
  • Idade acima de 40 anos;
  • Uso de corticoide;
  • Raça negra;
  • Diabetes;
  • Alta miopia;
  • Alta miopia.

Exames para o diagnóstico de Glaucoma:

  • Biomicroscopia de fundo de olho;
  • Tonometria;
  • Paquimetria;
  • OCT;
  • Curva tensional diária;
  • Campo visual computadorizado;
  • Retinografia;
  • Teste de sobrecarga hídrica.

Os exames necessários para diagnosticar o glaucoma variam de caso a caso.

Ainda não há cura para o glaucoma, mas pode ser controlado efetivamente, principalmente na fase inicial. O tratamento é feito com colírios que diminuem a pressão ocular para um nível que não prejudique o nervo óptico. Este nível é determinado pelo oftalmologista. A cirurgia existe, mas não recupera a visão, ela evita  a progressão da perda visual. Seu objetivo é reduzir a pressão quando não se consegue com colírios. Quando a doença está controlada, o nervo óptico e a visão estão protegidos.

Estrabismo

Popularmente conhecido como “olho torto”, o estrabismo é a alteração ocular onde os olhos estão desalinhados e olhando para direções diferentes. O desalinhamento pode ser constante ou não. Um dos olhos pode estar na posição correta, enquanto o outro pode estar desviado para o lado do nariz, para lateral, para cima ou para baixo.

Quando olhamos um objeto, é necessário que os olhos estejam “paralelos” para que a imagem de um olho seja igual a do outro e, consequentemente, o cérebro possa fundir as duas imagens em uma só. Isto ocorre pela perfeita sincronia que há entre os músculos oculares. No estrabismo, esse sincronismo muscular desaparece, fazendo com que olho bom veja uma imagem e o desviado outra diferente, ocasionando visão dupla.

Existem várias causas para o estrabismo destacando-se entre elas a hipermetropia, miopia, catarata congênita, alterações da retina e desordens neurológicas no controle dos músculos oculares. Há, entretanto, casos em que a causa exata não está totalmente esclarecida. Acomete 2% da população e é mais comum na criança, podendo estar presente no nascimento ou surgir nos primeiros anos de vida. O estrabismo afeta de maneira semelhante tanto o sexo masculino como o feminino, sendo, em alguns casos, de caráter familiar.

Olho esquerdo desviado para dentro e para cima.

Olho esquerdo desviado para dentro e para cima.

Olho direito desviado para fora.

Olho direito desviado para fora.

No momento em que aparecer, independentemente da idade, deve-se iniciar o tratamento, pois o estrabismo não se cura sozinho. Quando o estrabismo se instala na criança, seu cérebro aprende a ignorar temporariamente a imagem do olho que está desviado para que ela não fique com visão dupla, isto é, ela fica vendo apenas pelo olho bom. O olho desviado poderá recuperar a visão se for logo tratado ou ficar permanentemente prejudicado se o tratamento tardar. O ideal é procurar uma solução antes dos 3 ou 4 anos de idade.

O tratamento recomendado irá depender da causa. Algumas vezes, a simples prescrição de óculos corrige o estrabismo, outras vezes é necessário a cirurgia, que é feita nos músculos responsáveis pelos movimentos oculares. Portanto, é importante encontrar a causa para que se possa realizar um tratamento efetivo.

Na criança, se o olho desviado não for logo tratado, a visão não se desenvolverá, podendo haver uma deficiência permanente chamada de ambliopia. Há muitas causas de ambliopia, sendo a principal o estrabismo. De cada 100 crianças, quatro são amblíopes e metade destas estrábicas. Este mal deve ser eliminado o quanto antes para que a visão possa ser recuperada.

Já no adulto, em geral, as causas são: derrame (acidente vascular), hipertensão, diabetes, traumatismo craniano ou problemas neurológicos. A primeira providência é tampar o olho estrábico para evitar o incômodo da visão dupla enquanto se analisa a possível causa e se realiza o tratamento adequado.

Ceratocone

Os avanços em Cirurgia Refrativa determinaram benefícios para o diagnóstico e tratamento de doenças da córnea, destacando-se o ceratocone. A emergência desta nova sub-especialidade dentro da Oftalmologia é relativamente conhecida.

O especialista em ceratocone deve reunir habilidades relacionadas com Córnea e Cirurgia Refrativa, entretanto, é de fundamental importância orientar adequadamente os pacientes e os familiares. Não é incomum que a falta de explicações ao se passar o diagnóstico de ceratocone, ou apenas a suspeita com base em exame complementar, traga grande ansiedade para o paciente e sua família.

O ceratocone é uma alteração da córnea cuja superfície, normalmente esférica, sofre um encurvamento na sua porção para-central inferior. A córnea então assume o formato de cone, causando distorção e embaçamento das imagens. Isto ocorre por afinamento e perda da rigidez na sua área central ou para-central. A alteração é progressiva, inicia-se geralmente na adolescência, afeta um pouco mais as mulheres do que os homens, e evolui geralmente até 30 ou 35 anos, quando há uma estabilização espontânea.

Formato cônico da córnea no Ceratocone

Formato cônico da córnea no Ceratocone

O ceratocone é indolor, não causa vermelhidão, e é geralmente bilateral, podendo ter um olho mais avançado que o outro. O alerta é dado pelo embaçamento e distorção da visão. Em geral, aparecem também miopia e astigmatismo que aumentam constantemente levando a uma troca frequente dos óculos, que deixam de fornecer uma visão adequada. A coceira nos olhos é frequente devido sua grande associação com alergia ocular. Apesar de o ceratocone poder levar a uma grande perda visual, ele não leva à cegueira.

Infelizmente, não há maneiras de prevenir o surgimento do ceratocone. Até hoje, não se sabe a causa precisa do mesmo, nem porque aparece na adolescência, ou porque estabiliza espontaneamente, mas fatores hereditários estão ligados à sua origem. O hábito de coçar os olhos deve ser evitado, pois pode contribuir para o aparecimento ou agravamento da doença, o que torna os indivíduos alérgicos mais susceptíveis.

Inicialmente, devemos então investigar e tratar qualquer alergia ou inflamação ocular. O uso de lubrificantes também é importante, pois não só melhora a qualidade da superfície ocular (ajudando a diminuir a inflamação) como também melhora a qualidade da óptica ocular. Outros tratamentos para otimizar a superfície da córnea, como o uso oral de óleo de linhaça ou vitamina C e a colocação de plug de pontos lacrimais, podem ser utilizados.

A partir daí devemos seguir duas linhas de tratamento, a primeira dedicada a melhorar a acuidade visual do paciente, e a segunda direcionada a estabilizar o ceratocone (parar a progressão).

Melhorando a acuidade visual

– Óculos e Lentes de Contato

Para ceratocones iniciais e com localização mais central, o uso de óculos normalmente é suficiente para dar uma boa acuidade visual. Para casos onde os óculos não são suficientes, a adaptação de lentes de contato é, sem dúvida, a melhor opção. Entretanto, apesar da grande evolução no material e desenho das lentes de contato, a adaptação em caso de ceratocone pode ser inviabilizada pela intolerância dos pacientes. Normalmente, estes casos exigem o uso de lentes rígidas em olhos já previamente inflamados, o que dificulta bastante a adaptação. A grande vantagem da adaptação às lentes de contato rígidas é que esta é, de todas as opções, a que fornece melhor acuidade visual (mais até que as cirurgias).

– Anel Intra-estromal

Nos casos em que nem os óculos, nem as lentes de contato permitem uma visão satisfatória, recorre-se ao tratamento cirúrgico. Neste caso, o implante de anéis intra-corneanos para melhorar as irregularidades da superfície corneana é a primeira opção. No entanto, deve ficar claro que esta cirurgia não tem o objetivo de retirar o grau do paciente, e sim regularizar a córnea para que em seguida seja possível usar óculos (ou lentes de contato) com boa acuidade visual. Outra grande vantagem do implante do anel é que, uma vez implantado, conseguimos estabilizar o ceratocone em até 90% dos casos. O implante pode ser feito de forma manual ou a laser, sendo esta segunda opção a mais eficiente, mais segura e com melhores resultados. A forma como nós implantamos os anéis intra-estromal é com o laser de femtossegundo em 100% dos casos.

– Lente Intra-Ocular Fácica

Após o implante do anel, o grau residual pode ser alto. Nestes casos há a opção de implante de uma lente intra-ocular para diminuir o grau de miopia e/ou astigmatismo. Esta é uma lente bastante sofisticada e que é introduzida no olho de forma rápida e sem dor. Neste tipo de implante não há a retirada do cristalino (diferentemente da cirurgia de catarata). Se o ceratocone for muito avançado em um dos olhos e no outro não, esta lente é uma excelente opção após o anel para corrigir a diferença de grau entre os olhos.

– Excimer Laser para ceratocone

Alguns casos podem ser selecionados para receber uma aplicação de excimer laser para regularizar a superfície corneana. Entretanto, nesta cirurgia há consumo de tecido e afinamento corneano numa córnea já previamente afinada por conta do próprio ceratocone. Por este motivo, este tema é tão controverso e o uso do excimer laser é tão restrito em ceratocone.

Estabilizando o Ceratocone

Se após o exame clínico e a tomografia de córnea for detectado que o ceratocone está progredindo, é indicado o tratamento cirúrgico para estabilizar o quadro. Caso haja indicação do anel para melhorar a visão, esta mesma cirurgia irá estabilizar a doença na maioria dos casos (90%). Caso o anel não esteja indicado, pois a acuidade visual do paciente é boa com óculos ou lente de contato, a opção é o Crosslinking.

O Crosslinking consiste na aplicação de colírio de riboflavina (vitamina B2) na córnea durante alguns minutos, seguida da aplicação de luz ultravioleta. Este procedimento aumenta as ligações de colágeno na córnea e, consequentemente, aumenta a sua resistência. Há boa probabilidade de controlar a progressão do ceratocone. Contudo, deve ficar claro que este tratamento não melhora a acuidade visual, apenas estabiliza o quadro.

Considerações

Dependendo do caso, estes procedimentos podem ser combinados em um mesmo paciente. Por exemplo, se o ceratocone continuar evoluindo após o implante do anel, é permitido o crosslinking em seguida.

Caso o ceratocone esteja muito avançado e não seja possível nenhum desses procedimentos, recorremos ao transplante de córnea. Até alguns anos atrás, esta era a única alternativa para pacientes com ceratocone. Hoje em dia, os transplantes ficam reservados como última opção.

É importante ressaltar que, após o transplante, o paciente tem uma “vida nova” que requer cuidados especiais. E o fato de ter realizado o transplante não significa que a doença não possa ocorrer novamente.

Conjuntivite

Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, uma membrana fina e transparente que recobre a parte branca do olho (esclera) e reveste internamente as pálpebras. Existem dois tipos de conjuntivite, a infecciosa e a não infecciosa.

A conjuntivite infecciosa é causada por vírus, bactérias, fungos ou protozoários. As conjuntivites de origem infecciosa são altamente contagiosas, diferentemente das não-infecciosas. A principal via de contágio da conjuntivite infecciosa entre as pessoas se dá através do contato direto ou indireto com as secreções dos olhos infectados. Se por exemplo, uma pessoa com conjuntivite viral, pegar em um telefone, caneta ou maçaneta de porta e outra pessoa, em seguida, usar um destes objetos e coçar os olhos, sem ter lavado as mãos, estará se contaminando.

Conjuntivite Infecciosa Viral: Hiperemia (vermelhidão) e secreção aquosa.

Conjuntivite Infecciosa Viral: Hiperemia (vermelhidão) e secreção aquosa.

Já a conjuntivite não-infecciosa, é provocada por agentes externos irritantes, que podem dar origem à conjuntivite alérgica, química ou traumática.

Para evitar o contágio, é importante manter a higiene das mãos, lavando-as com frequência. Não coçar os olhos e não compartilhar toalhas, lenços e maquiagem são medidas bastante úteis na prevenção da conjuntivite quando existe um surto local da doença (no trabalho, na escola, na região onde moramos). Para quem usa lentes de contato, os cuidados com a higiene devem ser redobrados. Se você for usuário de Ientes de contato e estiver com conjuntivite (infecciosa ou não), suspenda o uso e volte aos óculos até que a inflamação tenha sido curada.

Aos primeiros sintomas de conjuntivite, o paciente deve procurar um oftalmologista para que seja feito o diagnóstico correto. Somente o médico pode fazê-lo com segurança, diferenciando a conjuntivite infecciosa da não-infecciosa e, a partir daí, prescrever o tratamento adequado.

Sintomas:

– Ardor e queimação;

– Sensação de areia nos olhos;

– Dor ocular de intensidade variável;

– Olhos vermelhos e lacrimejantes;

– Inchaço (ou edema) da conjuntiva e pálpebras em função do  acúmulo de líquidos no local.

Se estiver com Conjuntivite:

– Jamais utilize qualquer tipo de colírio sem orientação médica, pois o seu uso pode agravar o quadro ou mascarar sintomas;

– Evite o contato direto com outras pessoas e não pegue crianças no colo, para não contaminá-las;

– Evite coçar os olhos, pois o atrito agrava ainda mais o processo inflamatório;

– Prefira o uso de lenços de papel descartáveis, sendo um para cada olho;

– Aplique compressas frias, elas melhoram o desconforto;

– Use óculos escuros, que aliviam a fotofobia (incômodo à luz);

– Use solução fisiológica para limpar as secreções;

– Use os colírios prescritos de forma correta, respeitando horários, doses e tempo de uso.

Daltonismo

O daltonismo é uma doença ocular em que a pessoa não é capaz de enxergar uma ou todas as cores. Na maioria das vezes, a maior dificuldade é diferenciar as cores verde e vermelho. Isso acontece quando há alguma anomalia ou ausência das células que são responsáveis pelo reconhecimento da luminosidade e das cores.

O daltonismo é geralmente genético, no entanto, podem ser resultado de uma lesão ocular ou até neurológica. Nos casos genéticos, ocorrem geralmente nos homens, pois a anomalia genética esta relacionado ao cromossomo X.

O número 74 deve estar claramente visível para quem não possui daltonismo.

O número 74 deve estar claramente visível para quem não possui daltonismo.

Cerca de 8% dos homens sofrem com esse problema, enquanto apenas 0,5% das mulheres sofrem com a mesma doença. Mas, existe uma explicação científica para isso. Os homens possuem apenas um cromossomo X, enquanto as mulheres possuem dois cromossomos X. Assim, para que uma mulher seja daltônica, é preciso que seus dois cromossomos contenham o gene recessivo responsável por essa anomalia, o que é mais raro acontecer.

Em resumo, o daltonismo é a incapacidade de visualizar uma determinada cor ou frequências de cores. O que diferencia os tipos do problema são as cores que não são enxergadas pelo paciente.

É possível diagnosticar através de três exames diferentes: anomaloscópio de Nagel, Lãs de Holmgreen e teste de cores de Ishihara.

Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)

A mácula se localiza no fundo do olho, mais especificamente na retina, que é fundamental para nossa visão. A mácula mede apenas 5.5mm de diâmetro, porém, é neste pequeno espaço que se localizam a maior parte das células fotorreceptoras do tipo cone. Tais células são responsáveis pela visão central, visão de detalhes e visão de cores. Na mácula temos ainda dois tipos de pigmentos, a luteína e a zeaxantina, que protegem os fotorreceptores da mácula por terem ação anti-oxidante.

A degeneração macular ocorre por falência funcional das células desta região. Quando ocorre, na grande maioria dos casos, está relacionada com a idade (Degeneração Macular Relacionada à Idade, ou DMRI). Danificando exatamente a área da visão central e, consequentemente, impedindo ou dificultando a leitura e os trabalhos feitos de perto. Entretanto, apesar de afetar bastante a visão, não causa cegueira total. O olho ainda vê os objetos em volta do ponto que está sendo mirado se a visão lateral ou periférica estiver boa.

Nem sempre o envelhecimento leva à degeneração macular e a perda da visão central. Estima-se que 18% da população com idade acima de 65 anos desenvolve a doença. Este número sobe para 30% acima de 70 anos de idade.

A DMRI pode apresentar duas formas: a atrófica (ou seca) e a exsudativa (ou úmida).

A forma seca é chamada de degeneração involucional e representa 90% dos casos. É causada por uma atrofia ou afinamento das células visuais da mácula, resultando em pequena cicatriz no centro desta e manchas amareladas próximas (drusas).

As formas exsudativas, correspondem a 10% dos casos de DMRI. Nelas, há formação de vasos novos que, por serem frágeis, se rompem facilmente causando hemorragias e liberação de fluidos na mácula, cuja absorção evolui para extensa cicatriz fibrótica, responsável por perda visual mais grave.

Sequencia mostrando a evolução da DMRI.

Sequencia mostrando a evolução da DMRI.

Pode haver casos de degeneração macular que não estão associados ao processo de envelhecimento, são hereditários e ocorrem em adolescentes. Ocasionalmente, a alta miopia, o trauma, processos infecciosos, inflamação e outros agentes, podem, ainda, lesar o tecido delicado da mácula.

Muitos pacientes não percebem que têm um problema macular até que a visão central torne-se “borrada” ou, mais comumente, “ondulada” ou “distorcida”. A doença pode ser detectada e diagnosticada precocemente por um oftalmologista, através de exames oculares periódicos. O imediato encaminhamento a um especialista em doenças da retina pode prevenir danos adicionais através de tratamento específico.

No tratamento da DMRI, o uso de suplementos alimentares constituídos de minerais e vitaminas antioxidantes, especialmente a luteína e a zeaxantina, está indicado em alguns casos, e pode impedir a progressão da doença. Entretanto, não há cura para os danos já causados.

Em outros casos, o tratamento a laser nos estágios iniciais da forma exsudativa, pode retardar ou controlar as suas consequências.

O tratamento com substâncias chamadas de “antiangiogênicos”, que são aplicadas diretamente no interior do olho, representam a mais eficaz opção no tratamento e prevenção dos “neovasos”, evitando, assim, a perda visual severa.

As pessoas que já têm baixa visual importante e irreversível (visão subnormal) podem melhorar a visão central com óculos especiais, lentes manuais de aumento, telescópio ou circuitos fechados de televisão para a observação de objetos. Uma fonte de luz, adequadamente dirigida para leitura e trabalho de perto, ajudam bastante, assim como livros, jornais e outros itens com gravuras maiores.

Miopia, hipermetropia e astigmatismo

A miopia, hipermetropia e o astigmatismo são conhecidos como defeitos de refração, isto é, são defeitos que causam alterações na focalização das imagens que chegam aos olhos. No olho normal, a imagem passa através da córnea e do cristalino e é projetada com toda nitidez sobre a retina.

Na miopia, o olho cresce além do normal (fica mais comprido) e a imagem não é focalizada na retina, e sim antes dela.

Na hipermetropia, ao contrário da miopia, o olho cresce menos que o normal (fica mais curto) e por isso a imagem é focalizada atrás da retina.

Já no astigmatismo, o problema não está no tamanho do olho, e sim na curvatura da córnea, que apresenta um meridiano mais curvo que o outro. Isto gera uma imagem desdobrada e sem nitidez sobre a retina.

Todos estes defeitos,  miopia, hipermetropia e astigmatismo, causam distúrbios visuais e sintomas peculiares que, após o diagnóstico, o oftalmologista poderá corrigir com óculos, lentes de contato ou cirurgia refrativa

doencas

Catarata

Catarata é a redução ou perda de transparência do cristalino (lente natural do olho que se localiza atrás da pupila). Nós podemos nascer com catarata ou adquiri-la durante a vida. O mais comum é o aparecimento de acordo com a idade, este tipo é chamado de catarata senil, e aparece, geralmente, aos 60 anos. Outras condições que podem causar catarata são: traumas, doenças oculares, doenças sistêmicas, ou o uso de algumas medicações.

Olho com catarata

Olho com catarata

A catarata não reduz ou desaparece com uso de colírios ou óculos, sendo, portanto, necessário retirá-la cirurgicamente. A cirurgia da catarata tem como objetivo remover o cristalino pacificado e colocar no seu lugar uma lente artificial, que lá permanecerá o resto da vida sem provocar rejeição.

No início, a catarata tem uma consistência mais branda e, com o passar do tempo, vai ficando com a consistência mais dura. Isto é importante para a decisão do momento em que se deve operar a catarata. Quanto mais dura é a catarata, maior é o trauma cirúrgico e, consequentemente, mais demorado o tempo de recuperação. Por este motivo, uma vez confirmado o diagnóstico de catarata, deve-se indicar a cirurgia o quanto antes, proporcionando, assim, recuperação visual rápida e maior conforto aos pacientes no pós-operatório.

É importante ressaltar que, muitas vezes, o aparecimento da catarata coincide com outras alterações oculares, como glaucoma, alta miopia, hipermetropia, doenças da retina e de outras partes do olho. Assim como pode coincidir com outras doenças sistêmicas, como diabetes, hipertensão arterial, alterações cardio-pulmonares, etc.. Todos estes fatores fazem com que não exista uma cirurgia de catarata igual à outra. Portanto, os riscos envolvidos variam de paciente para paciente.

Em virtude da imensa segurança decorrente da capacitação técnica dos cirurgiões e da precisão dos equipamentos usados, os riscos se tornam pequenos e a grande maioria das cirurgias (99%) transcorre normalmente e com excelentes resultados.

Presbiopia

Classicamente, a Presbiopia (mais conhecida como “vista cansada”) tem sido considerada como a última barreira a ser vencida na oftalmologia. Isto se deve aos complexos mecanismos envolvidos na fisiopatologia da doença.

Em condições normais, pequenos músculos que temos dentro do olho, chamados músculos ciliares, têm a função de contrair sempre que olhamos para perto. No momento desta contração há um relaxamento da zônula de Zinn e, por isso, uma mudança na forma do cristalino, aumentando sua capacidade de convergência e seu poder dióptrico, para dar o foco de perto. Este mecanismo é chamado de “acomodação”. Em torno dos 40 anos de idade, todo este sistema inicia um processo de falência e o indivíduo começa a apresentar dificuldade para enxergar de perto. Este processo é progressivo, e piora com o aumento da idade, mas normalmente se estabiliza ao redor dos 60 anos. A esta condição damos o nome de Presbiopia.

As causas da falência deste mecanismo são o enrijecimento da musculatura ciliar, associado ao aumento de tamanho e enrijecimento do próprio cristalino e de sua cápsula envoltória. Como se trata de um processo natural de envelhecimento do nosso organismo, não há como prevenir o aparecimento da Presbiopia.

Visão com presbiopia

Visão com presbiopia

Indivíduos com Hipermetropia e Diabetes Mellitus podem a apresentar a presbiopia mais precocemente, e indivíduos com miopia tendem a apresentar a doença mais tardiamente (quanto mais miopia, mais tarde apresenta).

Apesar de muito comum, esta doença não leva à cegueira e nem apresenta maiores complicações. A medida mais conhecida para corrigir este “defeito” apresentado pelo nosso organismo é através do uso de óculos com lentes corretoras, sejam elas multifocais (foco em todas as distâncias), bifocais (foco longe e perto) ou monofocais (apenas para perto). Outra opção com resultado bastante satisfatório é o uso de lentes de contato multifocais.

Até pouco tempo atrás, estas eram as únicas opções para corrigir a Presbiopia e, além do mais, são medidas apenas paliativas, uma vez que, ao retirar os óculos ou as lentes de contato, o problema continua. Atualmente, já existem tratamentos cirúrgicos com excelentes resultados para corrigir a Presbiopia. As grandes vantagens de se submeter a um destes tratamentos são a resolução do problema de uma forma definitiva, e a independência do uso de óculos após a cirurgia.

Os procedimentos com melhores resultados e comprovação científica são: implante de lentes intra-oculares multifocais; implantes de lentes intra-corneanas (Inlays); aplicação de laser de forma personalizada na córnea; e, em alguns casos, a combinação de dois destes procedimentos. Não existe um tratamento padrão (tipo “receita de bolo”) para todos os pacientes, a avaliação pré-operatória deve ser criteriosa e individualizada para a escolha da melhor opção em cada caso.

Retinopatia diabética

A retinopatia diabética ocorre secundariamente a algum dos tipos de Diabetes Mellitus sem tratamento ou sem controle. Os altos níveis de açúcar (glicose) no sangue acabam por prejudicar os vasos sanguíneos da retina. Estes vasos sofrem alterações nas suas paredes podendo extravasar liquido e até mesmo se romper causando hemorragias.

Essa doença se manifesta inicialmente de forma leve ou moderada, contudo, o processo pode evoluir rapidamente, levando a uma perda visual parcial ou total. Tal comprometimento da visão ocorre quando o extravasamento de liquido ou sangue atinge a mácula, a área da retina responsável pela visão de cores e de detalhes.

Pode ocorrer ainda a formação de novos vasos sanguíneos defeituosos (neovasos). Estes novos vasos têm maiores chances de causar hemorragia no vítreo e descolamento de retina.

Sem o controle adequando dos níveis de açúcar no sangue, fatalmente a retinopatia diabética irá progredir e levará à cegueira.

Entretanto, além da prevenção com o controle da diabetes, existem tratamentos para a retinopatia diabética já instalada. Estes tratamentos apresentam bons resultados quando aplicados precocemente.

Fundo de olho de paciente com retinopatia diabética: Presença de exudatos, aneurismas, hemorragias e cicatrizes de fotocoagulação.

Fundo de olho de paciente com retinopatia diabética: Presença de exudatos, aneurismas, hemorragias e cicatrizes de fotocoagulação.

Existem drogas disponíveis no mercado para a injeção no interior do globo ocular, que reduzem os vasos anormais e melhoram o extravasamento de liquido dos vasos. Os altos custos destas drogas são o grande inconveniente.

A aplicação de laser no fundo do olho (fotocoagulação) está indicada em alguns casos com resultados bastante satisfatórios.

Para casos mais avançados, o tratamento é através da vitrectomia, uma delicada microcirurgia que visa remover os vasos anormais e a hemorragia vítrea, além da correção do descolamento de retina.

Não existe cura para a retinopatia diabética, mas é possível controlá-la. O controle clínico da Diabetes diminui significativamente o aparecimento ou agravamento da retinopatia diabética. Todo paciente diabético deve ser acompanhado periodicamente pelo oftalmologista. O controle da doença depende muito do paciente, que precisa seguir rigorosamente a orientação médica para evitar que a retinopatia se instale ou progrida. Lembre-se, além dos olhos, a diabetes lesa também gravemente os rins e o cérebro.

Hordéolo (Terçol) e Calázio

Hordéolo (Terçol)

O hordéolo, também conhecido como “Terçol”, é uma infecção aguda, em geral produzida por estafilococos, que acomete as glândulas situadas na borda da pálpebra. O hordéolo pode aparecer isolado ou associado à blefarite (inflamação da margem palpebral) e à acne.

Calázio: visão interna

Calázio: visão interna

De acordo com as glândulas acometidas, o hordéolo pode ser externo ou interno. No externo, a infecção acomete as glândulas associadas à raiz dos cílios (glândulas de Zeiss ou Moll). Inicia-se por um edema palpebral circunscrito e manifesta-se com sensação de peso ou queimação local. Os sinais inflamatórios são discretos e a cura espontânea ocorre na maioria dos casos. Para tratar o hordéolo externo, compressas mornas são suficientes.

Já o hordéolo interno, é uma infecção que envolve as glândulas existentes no interior da pálpebra (glândulas de Meibomius). Neste caso, os sinais e sintomas são mais exuberantes: edema acentuado, vermelhidão e dor estão presentes. Em seu tratamento, recomenda-se compressas mornas associadas a tratamento com antibiótico.

Calázio (Cisto Meibomiano)

É uma inflamação crônica focal da glândula de Meibomius, causada por bloqueio dos orifícios destas glândulas e acúmulo das secreções sebáceas. Em alguns casos, um hordéolo interno crônico pode virar um calázio. Neste caso, após a resolução da fase aguda infecciosa do hordéolo, persiste a obstrução dos orifícios da glândula de Meibomius e o processo de acúmulo de secreção se instala. Manifesta-se clinicamente como um caroço indolor na pálpebra que pode permanecer indefinidamente sem crescimento.

Hordéolo Interno: origina-se da borda posterior da pálpebra, onde está a glândula de Meibomius atingida (note a borda anterior da pálpebra, onde nascem os cílios, sem acometimento)

Hordéolo Interno: origina-se da borda posterior da pálpebra, onde está a glândula de Meibomius atingida (note a borda anterior da pálpebra, onde nascem os cílios, sem acometimento)

Em seu tratamento, a aplicação de compressas mornas locais está indicada para tentativa de dilatação dos ductos e orifícios da glândula para drenagem das secreções acumuladas. No entanto, muitas vezes essa medida não é resolutiva e a cirurgia está indicada. Neste caso, procede-se com uma anestesia local, uma pequena incisão vertical no cisto e uma curetagem para retirar as secreções acumuladas. Na grande maioria dos casos, não é necessário sutura. Durante o pós-operatório, a pálpebra pode ficar com leve inchaço e hematoma por um período de 3 a 5 dias.

Tumores

O câncer ocular é uma doença rara e de prognóstico desfavorável quando diagnosticado em fases avançadas. Geralmente, se origina a partir da proliferação das células malignas nas diferentes estruturas do olho.

Em adultos, a maioria dos tumores oculares são secundários ou metastáticos, ou seja, se originam em outras partes do corpo, como pulmão, mama, rim, próstata, e se disseminam pelo organismo através da corrente sanguínea e sistema linfático até atingirem as estruturas do olho.

Exemplo de tumor no olho

Exemplo de tumor no olho

Dentre os tumores primários (intraoculares), que se originam a partir dos tecidos oculares, o retinoblastoma e o melanoma constituem os tipos mais frequentes. Conheça:

– Retinoblastoma

O retinoblastoma é o tumor maligno intraocular mais comum na infância. É originado das células da retina, que é a membrana do olho sensível à luz. Pode se manifestar desde o nascimento até os 5 anos de idade.

Em 90% dos casos não apresenta causas conhecidas e caracteriza-se pelo desenvolvimento anormal da retina na infância, acometendo, em geral, apenas um olho. Cerca de 10% dos casos é transmitido por hereditariedade, podendo comprometer ambos os olhos.

O sinal mais comum do retinoblastoma é o reflexo pupilar branco. Por exemplo, quando a luz do flash da câmera bate sobre os olhos e reflete o branco na pupila, representa o reflexo da luz sobre a superfície do tumor.

O diagnóstico e sucesso do tratamento dependem da capacidade dos pais e do pediatra em detectarem sinais da doença ainda na fase inicial. A avaliação do oftalmologista é essencial para realização dos exames necessários, como o exame de fundo de olho, para se obter um diagnóstico definitivo e determinar a extensão da doença.

O tratamento varia desde a terapia local com laser, em tumores menores, até outras modalidades de tratamento, como braquiterapia, quimioterapia e remoção do globo ocular em tumores maiores. Os melhores resultados são obtidos nos estágios iniciais da doença.

– Melanoma

O melanoma ocular é o tumor primário mais comum dos adultos. Acomete igualmente homens e mulheres entre 45 e 60 anos de idade. Na maioria das vezes, é assintomático, mas pode se manifestar com alterações visuais em caso de descolamento da retina ou volume tumoral significativo. Não apresenta fatores de risco muito bem estabelecidos.

Pode ocorrer tanto na úvea, porção interna do globo ocular, como na conjuntiva, membrana que recobre a parte branca do olho e a superfície interna das pálpebras.

O diagnóstico é realizado através de exames oftalmológicos que permitem o mapeamento da retina e a ultrassonografia. Apesar de não serem visíveis, os melanomas da úvea produzem sintomas como flashes luminosos, “moscas” volantes e perda parcial ou total da visão. Em alguns casos, podem se disseminar (metástases) para outros órgãos, como fígado, cérebro ou pulmão.

O tratamento pode ser realizado com placas radioativas, técnicas de termoterapia transpupilar, braquiterapia, enucleação (remoção do globo ocular), quimioterapia ou imunoterapia. Em geral, é individualizado e orientado pela extensão da doença.

A melhor maneira de prevenir o câncer de olho é estar atento aos sinais e sintomas e realizar consultas e exames oftalmológicos periódicos, aumentando as chances de detecção precoce e, então, de cura.

Uveítes e AIDS

Uveíte é uma doença inflamatória que pode comprometer totalmente a úvea ou uma de suas partes (íris, corpo ciliar e coróide). Em alguns casos, a inflamação atinge também o nervo ótico e a retina.

A uveíte é classificada em anterior, intermediária e posterior, conforme o segmento ocular em que o distúrbio se manifesta, e pode ocorrer em apenas um olho ou nos dois.

Não se conhece a causa de grande parte das uveítes. Entretanto, quando é possível determiná-la, as mais importantes são:

– Infecção por vírus, bactérias e fungos;

– Doenças sistêmicas, como toxoplasmose, inclusive a toxoplasmose congênita, herpes simples, citomegalovírus, tuberculose, sífilis;

– Moléstias reumatológicas, por exemplo, artrite reumatoide, lúpus eritematoso;

– Corpos estranhos e traumas oculares;

– Leucemias e linfomas.

Dentre os sintomas, podemos citar: hiperemia (olho vermelho), fotofobia (sensibilidade à luz), dor, visão turva ou embaçada e, ainda, pequenos pontos escuros que se movimentam.

Olho vermelho e dor são sintomas comuns nos quadros de uveítes e de conjuntivites. Estabelecer o diagnóstico diferencial é de extrema importância, uma vez que as uveítes, quando não tratadas, podem comprometer a visão definitivamente.

Sintomas de Uveíte

Sintomas de Uveíte

O diagnóstico diferencial também é importante para determinar as enfermidades sistêmicas, reumatológicas ou neoplasias, que podem ser a causa primária de graves alterações oculares.

As uveítes podem aparecer em qualquer idade, desde o nascimento até a velhice, e igualmente em ambos os sexos, mas são mais frequentes em adultos e jovens que, em geral, apresentam exame positivo para a toxoplasmose.

A conduta terapêutica varia de acordo com a causa das uveítes e pode exigir a orientação do oftalmologista e de um especialista na doença de base. O tratamento ocular promove apenas o alívio dos sintomas, se a causa primária não for resolvida. Por essa razão, pode ser necessário associar a indicação de antibióticos, antivirais ou antifúngicos ao uso tópico de colírios específicos.

Nas formas autoimunes, é preciso prescrever corticóides ou imunomodeladores, quase sempre por tempo prolongado. Já nos casos de uveíte anterior, a primeira medida é dilatar a pupila e prescrever anti-inflamatório de uso local para preservar a anatomia do olho.

Assim, é recomendado que o indivíduo:

– Não se automedique;  procure um oftalmologista se seus olhos estiverem  vermelhos e doloridos;

– Consulte regularmente o seu oftalmologista; nas uveítes, o diagnóstico precoce é importantíssimo para preservar a integridade da visão;

– Faça todos os exames solicitados para determinar a causa da uveíte e respaldar o tratamento corretamente;

– Não use lentes de contato se o quadro de uveíte não estiver controlado;

– Leve seus filhos ao oftalmologista para avaliação; em geral, nas crianças, o quadro das uveítes é crônico e elas não reconhecem os sintomas.

Toxoplasmose ocular

A toxoplasmose é a principal causa de uveíte posterior no Brasil e é responsável por sequelas oftalmológicas graves, incluindo a cegueira total. É causada por um protozoário, o Toxoplasma gondii, que tem o gato como um dos seus hospedeiros durante o seu ciclo biológico. É considerada a zoonose mais difundida no mundo e tem uma maior prevalência em áreas tropicais e com condições precárias de higiene e saneamento básico.

A sua transmissão se dá através de cistos eliminados nas fezes dos gatos, que podem contaminar alimentos e a água. A ingestão de carne crua e mal cozida também é um meio de transmissão. As formas congênitas surgem devido à transmissão da mãe durante a gravidez e ocorrem em cerca de 40% dos conceptos cujas mães foram infectadas durante a gestação.

O diagnóstico é confirmado pela sorologia do parasita em um exame de sangue. E o tratamento se baseia no uso de medicações regradas. Em alguns casos, há também a necessidade do uso de corticóides para se controlar a inflamação ocular.

HIV/AIDS

Pessoas com infecção pelo vírus HIV e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) são consideradas de grande risco para o desenvolvimento de algum tipo de uveíte. Nesses casos há um profundo grau de imunodepressão. Por isso, agentes infecciosos, como a sífilis, tuberculose e citomegalovírus, têm uma maior incidência nessa população. Além das alterações oculares que ocorrem devido à própria infecção pelo HIV.

Pessoas nessas condições devem ser rotineiramente avaliadas por um oftalmologista especializado, pois, muitas vezes, essas alterações podem se iniciar de forma despercebida e levar a sérias complicações oculares.

Pterígio

O pterígio, popularmente conhecido como “carne crescida”, é uma prega de tecido de formato triangular que cresce, em geral, no canto do olho no lado do nariz (lado nasal), avançando sobre a córnea na direção do seu centro. Ele pode também se desenvolver no canto oposto (lado temporal), ou simultaneamente no lado nasal e temporal, embora estas situações sejam raras.

Esta doença é muito antiga, estudos iniciais sobre pterígio datam de mil anos antes de Cristo e foram realizados por Susruta, egípcio considerado como o primeiro cirurgião oftalmológico do mundo. Ele fez descrição precisa do pterígio, de seu tratamento, bem como da forma rápida e fácil com que ele voltava.

O pterígio está fortemente relacionado à exposição ao sol, especialmente à radiação ultravioleta (UV). Isto implica que, para a prevenção do mesmo, o uso de lentes que filtrem raios UV é importante quando a exposição solar for inevitável, não importando a idade.

Pterígio avançado porém com o eixo visual ainda preservado.

Pterígio avançado porém com o eixo visual ainda preservado.

A maior incidência de pterígio ocorre entre os 20 e 49 anos e, raramente, em indivíduos com menos de 15 anos. Além da radiação UV, uma proporção de casos parece ser hereditária, porém, outros fatores, como poeira, vento, calor, inflamação, infecção, têm sido propostos como causas associadas.

A luz atinge os olhos com intensidade 20 vezes maior no lado nasal que no temporal, o que justificaria o aparecimento do pterígio no lado nasal com uma frequência bem maior (91%).

Na fase inicial, o pterígio frequentemente não apresenta sintomas, mas pode produzir vermelhidão (hiperemia), queimação, sensação de corpo estranho ou leve sensibilidade à luz (fotofobia). Nestes casos, o desconforto pode ser controlado com colírios lubrificantes, vasoconstrictores, compressas frias e evitando-se ambientes poluídos com fumaça ou poeira e usando lentes com proteção contra os raios ultravioleta.

Com a progressão, o pterígio pode crescer sobre a córnea obscurecendo a visão ou alterando a sua forma, produzindo astigmatismo, e também limitar o movimento do olho. Nestas condições, o tratamento é cirúrgico, lembrando porém que  a observação de Susruta, de 3 mil anos, ainda hoje é válida, isto é, o pterígio pode voltar mesmo após uma cirurgia impecável. Atualmente, existem técnicas cirúrgicas e drogas especiais que diminuem muito a possibilidade de retorno do pterígio.

Olho Seco

Olho seco é um termo usado para descrever uma condição crônica dos olhos que apresentam: sensação de secura ou de “areia”, ardência, vermelhidão, coceira, peso nas pálpebras e fotofobia (sensibilidade à luz).

Estes sintomas resultam de um processo inflamatório crônico que causa alterações na lágrima. Esta pode estar deficiente em quantidade e/ou qualidade, neste caso evaporando rápido demais.

Em condições normais, a lágrima deve cobrir toda a superfície ocular após a piscada e permanecer assim por 10 segundos. Em pessoas com olho seco, o filme lacrimal é quebrado antes destes 10 segundos (Break Up Time – BUT), ou seja, a lágrima evapora precocemente.

Sequencia de fotos mostrando a evaporação precoce da lagrima em um caso de olho seco.

Sequencia de fotos mostrando a evaporação precoce da lagrima em um caso de olho seco.

A lágrima é constituída de: água, gordura e muco. Estes componentes são secretados em quantidades suficientes por glândulas especiais espalhadas na superfície do olho e nas pálpebras. Normalmente, há um equilíbrio entre as quantidades de cada um destes componentes, e quando, por qualquer motivo, este equilíbrio é rompido, a qualidade da lágrima diminui e os sintomas começam a aparecer.

São funções da lágrima:

– Lubrificar, oxigenar e nutrir a superfície do olho;

– Formar uma superfície lisa e transparente sobre a córnea;

– Proteger os olhos eliminando partículas e microorganismos.

O olho seco acomete adultos de todas as idades, principalmente indivíduos idosos, sendo as mulheres mais acometidas que os homens.

O que pode ocasionar olho seco?

– Envelhecimento. Com a idade há redução da quantidade e da qualidade da lágrima;

– Condições ambientais, como vento, poeira, poluição, ar condicionado e baixa umidade do ar;

– Redução na frequência do piscar, acarretada, por exemplo, por atividades em computadores e defeitos nas pálpebras;

– Uso de lentes de contato;

– Alterações hormonais, mais comum nas mulheres, principalmente na menopausa ou após;

– Uso de medicamentos, como antialérgicos, anti-hipertensivos, anticoncepcionais, antidepressivos, tranquilizantes e outros;

– Doenças, como Artrite Reumatoide, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Sarcoidose, Síndrome de Sjögren, Alergia, Diabetes e Infecções oculares (pálpebras e/ou glândulas lacrimais).

Cerca de 80% dos casos de olho seco variam de leve a moderado e obtém-se uma melhora significativa dos sintomas com o uso de colírios lubrificantes. Em casos mais resistentes ao tratamento, está indicada a oclusão do ponto lacrimal (orifício por onde a lágrima sai do olho), permitindo assim que ela fique mais tempo em contato com a superfície ocular. Esta oclusão pode ser feita por cauterização, suturas ou através de plugs especiais.

Adicionalmente, é importante tratar a causa do olho seco. Como sua origem é inflamatória, colírios que agem nesse mecanismo estão indicados em alguns casos. Além disto, a complementação oral de vitamina C e óleo de linhaça tem comprovação cientifica de que melhoram a inflamação e a qualidade da lágrima.

Moscas volantes

Moscas volantes são pequenas condensações do corpo vítreo. Estas condensações têm várias formas e tamanhos, elas “flutuam” no vítreo sendo percebidas no campo de visão como pontos, filamentos ou moscas (por este motivo também são chamadas de “Floaters”). Apesar de sua presença ser incômoda e assustar quando aparecem, em geral, fazem parte do processo de envelhecimento. É um fenômeno comum em indivíduos com mais de 60 anos e em míopes de qualquer idade.

O risco associado às moscas volantes só pode ser avaliado por um oftalmologista, através de um exame especializado. Em muitos casos não têm importância, porém em outros podem significar a presença de alterações graves, principalmente na retina.

Modelo esquemático do olho apresentando “floaters”

Modelo esquemático do olho apresentando “floaters”

Esse tipo de distúrbio do corpo vítreo não tem tratamento e é mais notado ao se olhar para um fundo claro ou branco. Quando as condensações estão fora da área pupilar, não são percebidas. Em geral aparecem primeiro em um olho e depois no outro. As pessoas aprendem a conviver com as moscas volantes quando, após o exame oftalmológico, têm certeza de que não há nada grave.

Quando o corpo vítreo, que está encostado na retina, se contrai, esta é levemente tracionada e produz uma sensação visual semelhante à de flashes luminosos. Essa sensação pode permanecer por semanas e está relacionada com o avançar da idade. Os flashes luminosos podem estar associados a um grande número de moscas volantes ou ao escurecimento de uma parte do campo de visão. Nesses casos podem ser sintomas de ruptura retiniana ou descolamento de retina.

A presença de moscas volantes, e principalmente de flashes de luz, requer sempre um exame oftalmológico. Se durante o exame o oftalmologista detectar a presença de ruptura retiniana, pode ser indicado o tratamento com laser. Este tratamento pode prevenir o descolamento de retina.

Descolamento de retina

O globo ocular tem três camadas das quais a retina é quem reveste a superfície interna do mesmo. É uma membrana delicada que está apoiada nas outras camadas do olho e mantida em seu local por um mecanismo próprio de adesão, auxiliado pelo corpo vítreo, um gel transparente que preenche a maior parte do olho. A função da retina é captar as imagens do meio ambiente e transformá-las em impulsos nervosos que, através do nervo óptico, chegam ao cérebro, onde se produz a visão.

Em geral, a retina descola porque rasga e, através dessa ruptura, penetra um líquido que aos poucos levanta a mesma, separando-a da camada subjacente. Os locais das rupturas são, usualmente, áreas onde há maior fragilidade.

Em alguns casos, a contração do vítreo, que é característica do processo de envelhecimento, pode tracionar a retina, causando sua ruptura e consequente descolamento. Durante estas contrações, o paciente pode notar pontos opacos no campo de visão ou flashes luminosos. Quando o descolamento de retina já está presente, o paciente observa uma “sombra” no campo de visão correspondente à área descolada.

Além do envelhecimento, alta miopia (acima de 8 graus), fatores genéticos, trauma ocular, cirurgias intra-oculares, prematuridade e diabetes são algumas das condições que predispõem ao descolamento de retina.

Esquema ilustrando o descolamento de retina. Rasgão retiniano com a entrada de liquido para trás da retina e consequente descolamento.

Esquema ilustrando o descolamento de retina. Rasgão retiniano com a entrada de liquido para trás da retina e consequente descolamento.

Existem diversos métodos cirúrgicos para o tratamento do descolamento de retina, mas, independentemente da técnica, o objetivo principal é obter um fechamento das rupturas, levando à reaplicação da retina.

Quando há apenas ruptura, o oftalmologista identifica através da pupila a área lesada, e produz intencionalmente com laser uma cicatriz para facilitar a aderência entre as partes lesionadas, impedindo a entrada de líquido.

Quando há descolamento, a solução é cirúrgica. O objetivo é aspirar o líquido atrás da retina e aplicar o laser em torno da ruptura. Às vezes, é necessário injetar gás ou óleo de silicone dentro do olho.

A internação se dá no dia da operação e, exceto em casos especiais, o paciente não deve se alimentar e nem tomar água no mesmo dia.

Geralmente, a cirurgia é feita com anestesia local e, ao final do processo, o paciente retoma ao seu quarto com um curativo sobre o olho operado. A alta é dada no mesmo dia ou no dia seguinte. Dores moderadas são habituais e a recuperação da visão é lenta e depende da área atingida pelo descolamento.

Caso seja necessário o uso de gás ou óleo de silicone intra-ocular, o paciente apresentará comprometimento da visão durante o período em que os mesmos permanecerem dentro do olho. Quando o gás é utilizado, viagens aéreas não são recomendadas. A prescrição e as recomendações médicas devem ser seguidas.

Blefarites

Trata-se de uma inflamação na margem palpebral, que causa vermelhidão, coceira e, muitas vezes, olho seco. É comum ser confundida com conjuntivite, pois o quadro clínico é semelhante. A blefarite pode ocorrer na borda anterior e/ou na borda posterior da pálpebra.

A blefarite é causada, geralmente, por infecção por estafilococos ou por acúmulo de gordura (seborréia). Outras causas são as doenças dermatológicas e as reações alérgicas à maquiagem ou produtos de limpeza de lentes de contato.

Modelo esquemático ilustrando à direita o olho normal e à esquerda o olho com blefarite.

Modelo esquemático ilustrando à direita o olho normal e à esquerda o olho com blefarite.

Existem dois tipos de blefarite, a anterior e a posterior. No caso da anterior, esta ocorre na borda anterior da pálpebra e pode ser subdividida em estafilocócica e seborreica. Já a posterior, que ocorre na borda posterior da pálpebra, pode ser seborréia meibomiana ou meibomite.

Obs: As blefarites podem ser mistas (combinação de uma ou mais situações destas acima).

Dentre os sintomas, temos:

– Palpebrais: oleosidade nas pálpebras, presença de crostas nos cílios, vermelhidão, coceira, inchaço, perda de cílios e crescimento dos cílios invertidos (virados pra dentro).

– Oculares: ardência, vermelhidão, lacrimejamento e sensação de corpo estranho.

Nas blefarites, é comum os sintomas terem pouca relação com os achados clínicos. Ou seja, existem casos onde as queixas do paciente são grandes e os achados clínicos poucos, da mesma forma existem casos onde as queixas são pequenas e os achados clínicos são exuberantes.

Inicialmente a limpeza dos cílios e das pálpebras duas vezes ao dia de forma contínua é o mais importante durante o tratamento. Esta limpeza pode ser feita com shampoo neutro infantil ou com produtos desenvolvidos para este fim (Frex Clean ou Blephagel). Nos casos mais leves, apenas esta medida é suficiente para melhora do quadro e alívio dos sintomas. Compressas mornas sobre as pálpebras durante 5 minutos também aliviam os sintomas em casos mais agudos. Colírios lubrificantes, colírios com antibióticos e/ou corticoide, pomadas oftálmicas antibióticas, e antibiótico oral podem ser necessários.

As blefarites podem causar algumas complicações, como calázios de repetição, deformações das bordas palpebrais, e alterações dos cílios (caem, crescem na direção invertida e/ou param de crescer definitivamente).

Ambliopia

Ambliopia é um termo oftalmológico para baixa acuidade visual, que não melhora com nenhum recurso oftalmológico, apesar de todas as estruturas oculares estarem normais. Isso quer dizer que a visão não foi desenvolvida corretamente neste olho. Em outras palavras, a causa desse déficit não está especificamente no olho, mas sim na região cerebral que corresponde à visão, que não foi devidamente estimulada no momento certo (“o olho não aprende a ver”). A ambliopia também é chamada de “olho preguiçoso” e afeta 1 a 2% da população, sendo a principal causa de baixa visão nas crianças.

Trata-se de um problema sério e que pode passar despercebido pela criança ou pelos pais. É por este motivo que triagens visuais para as crianças são tão importantes. Se não tratado antes dos seis ou sete anos de idade, pode deixar déficit visual que afetará a criança por toda a vida, impedindo-a de exercer profissões ou atividades que dependam da visão binocular.

As causas da ambliopia se dividem em:

– Refracional: um ou ambos os olhos têm a imagem borrada por um erro refracional (grau) não percebido e não tratado, fazendo com que os olhos não desenvolvam sua capacidade de enxergar;

– Ambliopia por privação: qualquer obstáculo à formação de imagem nítida na retina, como a catarata congênita, ptose palpebral, hemangiomas, entre outras;

– Secundária a estrabismo (desvio ocular): a criança “usa” apenas um dos olhos – o que está alinhado – e a visão do olho desviado não se desenvolve, pois, o cérebro precisa suprimir a imagem deste para que a criança não apresente visão dupla.

Criança utilizando oclusor em olho esquerdo (olho bom) para estimular o desenvolvimento da visão no olho direito

Criança utilizando oclusor em olho esquerdo (olho bom) para estimular o desenvolvimento da visão no olho direito

Existe tratamento para a ambliopia, por isso recomendamos fazer exames oftalmológicos rotineiros em crianças que, aparentemente, não apresentam nenhum problema. A ambliopia, se detectada precocemente, pode ser corrigida e a criança desenvolver visão normal na maioria dos casos.

Durante o tratamento, devemos, em primeiro lugar, corrigir a causa, propiciando imagem retiniana clara, com o uso de óculos, cirurgia de catarata entre outras. A seguir, devemos forçar a criança a usar o olho preguiçoso, o que geralmente é feito com o uso de tampão (oclusores oculares) sobre o olho bom. O estrabismo, se existente, costuma ser corrigido com o tratamento da ambliopia.

Como alternativa ao uso de oclusores, podemos, em alguns casos, usar colírios que embaçam a visão do olho bom e forçam a criança a usar o olho amblíope. Podemos fazer isto também com o uso de óculos, mas a oclusão continua sendo o melhor tratamento na maioria das vezes. Atualmente, novas medicações (Levodopa e Benzerazida) vêm sendo utilizadas para tentar melhorar os resultados dos tratamentos, e podem ser uma alternativa para os casos que, até então, eram considerados irreversíveis (crianças mais velhas).

Visão Subnormal

Dizemos que uma pessoa tem visão subnormal quando os recursos tradicionais, como óculos, lentes de contato, intervenções clínicas e cirúrgicas, não são capazes de fornecer uma visão nítida. Nestes casos, o paciente necessita de recursos especiais e orientação para realizar suas atividades e melhorar a qualidade de vida.

A degeneração macular do idoso, a retinopatia diabética e glaucoma, são as principais causas de visão subnormal no adulto, enquanto as doenças genéticas e as doenças infecciosas como toxoplasmose, rubéola e sífilis lideram nas crianças.

Para os pacientes de visão subnormal, existem recursos que os fazem aproveitar de uma forma melhor a sua visão residual.

São três tipos de recursos para esse objetivo:

– Ópticos: que são representados por sistemas telemicroscópicos – óculos especiais, lentes de contato e lupas especiais;

– Não-ópticos: que facilitam a visão através de impressos ampliados, controle de iluminação, auxílios para postura, contraste, entre outros;

– Eletrônicos: aqueles que integram sistemas ópticos para ampliação de imagem, circuitos de vídeo e recursos de informática.

A Clínica de Visão Subnormal necessita de uma avaliação cuidadosa do paciente, devendo esta ser realizada pelo oftalmologista. Assim, o recurso adequado a cada caso é devidamente escolhido e o treinamento para adaptação é orientado, de forma que o paciente possa alcançar o melhor de sua visão residual. Existem doenças oculares que não respondem bem aos auxílios ópticos de tipo algum, pois nestes casos as funções visuais estão muito alteradas. Entretanto, a orientação de um profissional especializado, poderá trazer mais independência e qualidade de vida para o paciente.